Economia nacional sob pressão internacional.
Uma pesquisa recente realizada pelo Instituto Ipsos-Ipec revelou que 72% dos brasileiros acreditam que conflitos globais impactam fortemente a economia do país. A sondagem ouviu duas mil pessoas em mais de 130 municípios e foi conduzida entre os dias 3 e 8 de julho de 2025. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Essa percepção da população reflete uma crescente preocupação com os desdobramentos de guerras, sanções econômicas e instabilidades políticas em países como Ucrânia, Rússia, Israel e Irã — eventos que, mesmo ocorrendo fora do território nacional, influenciam diretamente os preços de combustíveis, alimentos, exportações e câmbio.
Relações diplomáticas também preocupam.
Além da preocupação econômica, 66% dos entrevistados disseram acreditar que as tensões internacionais também afetam negativamente as relações diplomáticas do Brasil. Esse dado mostra que a população começa a entender que conflitos não são apenas questões militares ou políticas externas, mas têm reflexos reais no cotidiano.
Em um cenário global onde blocos econômicos se fortalecem e parcerias comerciais se tornam estratégicas, qualquer abalo nas relações internacionais pode gerar instabilidade nos acordos comerciais, investimentos e no acesso a tecnologias.
Baixo nível de informação, mas alta percepção.
Curiosamente, embora grande parte dos brasileiros reconheça os efeitos dos conflitos na economia, apenas 25% afirmam estar bem informados sobre política internacional. A maioria (46%) se diz “mais ou menos informada”, e outros 27% admitem ter pouco ou nenhum conhecimento sobre o tema.
Esse abismo entre a percepção e o nível de informação pode ser reflexo de uma cobertura fragmentada na mídia e da dificuldade de acesso a análises aprofundadas sobre política externa. Isso também abre espaço para desinformação e discursos polarizados sobre o papel do Brasil no cenário internacional.
Imagem dos países em conflito: Rússia e Irã lideram rejeição.
O levantamento também perguntou aos entrevistados qual a opinião deles sobre países envolvidos em tensões internacionais:
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Rússia e Irã lideram o índice de imagem negativa, com mais de 70% dos brasileiros com opinião desfavorável.
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Israel e Palestina também dividem opiniões: enquanto 61% reprovam a Palestina, Israel tem rejeição de 52%.
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Ucrânia, embora seja retratada como vítima de invasão russa, tem apoio limitado: apenas 32% expressaram simpatia, enquanto 53% mantêm uma visão negativa.
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Já os Estados Unidos dividem o público: 45% têm opinião favorável, e 29% desfavorável.
Esses dados revelam que, embora a maioria não se considere bem informada, os brasileiros estão formando impressões fortes com base nas informações que recebem, principalmente da mídia e redes sociais.
Diferenças por gênero e escolaridade.
A pesquisa também mostrou que homens e pessoas com maior escolaridade tendem a se considerar mais informados sobre política internacional e têm opiniões mais favoráveis a países aliados do Ocidente, como os EUA e a Ucrânia. Já entre os que têm menor escolaridade, é maior a proporção dos que dizem estar desinformados.
Essas divisões indicam que o acesso à informação e o nível educacional influenciam diretamente a visão sobre o cenário global e os julgamentos políticos e econômicos derivados dele.
O que os dados revelam sobre o Brasil no mundo?
O estudo da Ipsos-Ipec reforça que o brasileiro médio não está alheio ao que acontece no exterior. Pelo contrário: reconhece que guerras e conflitos não respeitam fronteiras e que o Brasil, mesmo distante geograficamente, sente os impactos por meio da economia.
Esse tipo de percepção é crucial em um mundo cada vez mais globalizado, onde os efeitos de uma guerra na Europa ou no Oriente Médio podem chegar ao bolso do cidadão por meio do aumento da inflação, queda no valor da moeda e mudança nas políticas comerciais.
Fontes
Metrópoles – Para 72% dos brasileiros, conflitos mundiais afetam muito a economia
Roma News – Maioria dos brasileiros acredita que conflitos mundiais afetam economia








